Professora: Regilani Alves - 7º ANO "A" – Matutino - Data: 17/06/2020


Escola Estadual Professor Marcilon Dorneles
Regime Especial de Aulas Não-Presenciais - Língua Portuguesa
Professora: Regilani Alves - 7º ANO "A" – Matutino - Data: 17/06/2020
 Tema/ Conhecimento: Novelas

Habilidades: (EF69LP47-B) Perceber como se estrutura a narrativa nos diferentes gêneros e os efeitos de sentido decorrentes do foco narrativo típico de cada gênero, da caracterização dos espaços físico e psicológico e dos tempos cronológico e psicológico, das diferentes vozes no texto (do narrador, de personagens em discurso direto, indireto e indireto livre), do uso de pontuação expressiva, palavras e expressões conotativas e processos figurativos e do uso de recursos linguístico-gramaticais próprios a cada gênero narrativo. (EF69LP54-B) Analisar os efeitos de sentido decorrentes do emprego de figuras de linguagem, tais como comparação, metáfora, personificação, metonímia, hipérbole, eufemismo, ironia, paradoxo e antítese e os efeitos de sentido decorrentes do emprego de palavras e expressões denotativas e conotativas (adjetivos, locuções adjetivas, orações subordinadas adjetivas etc.), que funcionam como modificadores, percebendo sua função na caracterização dos espaços, tempos, personagens e ações próprios de cada gênero narrativo. (EF69LP51-A) Engajar-se ativamente nos processos de planejamento, textualização, revisão/ edição e reescrita, tendo em vista as restrições temáticas, composicionais e estilísticas dos textos pretendidos e as configurações da situação de produção – o leitor pretendido, o suporte, o contexto de circulação do texto, as finalidades etc.

TEXTO 1
Observe a imagem abaixo, e depois responda as atividades.


Copie e responda: 

1)        Pela expressão facial do desenho, você considera essa uma família feliz? Por quê?

2)        Essa família representa alguma região brasileira? Você acha que ela vive no mundo rural ou urbano?

3)        Essa imagem representa a obra “Vidas Secas’, de Graciliano Ramos. Você leu ou teve algum contato com essa obra? Conhece o autor?

A obra Vidas Secas narra a história de uma família de retirantes obrigada a deixar seu espaço atingido pela seca. O vaqueiro Fabiano, sua mulher - Sinhá Vitória - e os dois filhos - denominados apenas menino mais velho e menino mais novo - constituem a família de retirantes. Com eles vão a cachorra Baleia e um papagaio. Passam parte do tempo em uma fazenda. Julgando-se explorados pelo patrão e percebendo que vão enfrentar mais um período de seca, acuados pela miséria, Fabiano e sua família recomeçam a vagar pelo sertão.

Capítulo 1 – Mudança: Parte I

Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala.
Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.
Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.
- Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai.
Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo.
A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.
- Anda, excomungado.
O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário - e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde.Tinham deixado os caminhos, cheios de espinho e seixos, fazia horas que pisavam a margem do rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés.
Pelo espírito atribulado do sertanejo passou a ideia de abandonar o filho naquele descampado. Pensou nos urubus, nas ossadas, coçou a barba ruiva e suja, irresoluto, examinou os arredores. Sinhá Vitória estirou o beiço indicando vagamente uma direção e afirmou com alguns sons guturais que estavam perto. Fabiano meteu a faca na bainha, guardou-a no cinturão, acocorou-se, pegou no pulso do menino, que se encolhia, os joelhos encostados no estômago, frio como um defunto. Aí a cólera desapareceu e Fabiano teve pena.Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato. Entregou a espingarda a Sinhá Vitória, pôs o filho no cangote, levantou-se, agarrou os bracinhos que lhe caíam sobre o peito, moles, finos como cambitos. Sinhá Vitória aprovou esse arranjo, lançou de novo a interjeição gutural, designou os juazeiros invisíveis.
E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande.
Ausente do companheiro, a cachorra Baleia tomou a frente do grupo. Arqueada, as costelas à mostra, corria ofegando, a língua fora da boca. E de quando em quando se detinha, esperando as pessoas, que se retardavam.
Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio. Coitado, morrera na areia do rio, onde haviam descansado, a beira de uma poça: a fome apertara demais os retirantes e por ali não existia sinal de comida. Baleia jantara os pés, a cabeça, os ossos do amigo, e não guardava lembrança disto. Agora, enquanto parava, dirigia as pupilas brilhantes aos objetos familiares, estranhava não ver sobre o baú de folha a gaiola pequena onde a ave se equilibrava mal.
Fabiano também às vezes sentia falta dela, mas logo a recordação chegava. Tinha andado a procurar raízes, à toa: o resto da farinha acabara, não se ouvia um berro de rês perdida na caatinga. Sinhá Vitória, queimando o assento no chão, as mãos cruzadas segurando os joelhos ossudos, pensava em acontecimentos antigos que não se relacionavam: festas de casamento, vaquejadas, novenas, tudo numa confusão. Despertara-a um grito áspero, vira de perto a realidade e o papagaio, que andava furioso, com os pés apalhetados, numa atitude ridícula.
Resolvera de supetão aproveitá-lo como alimento e justificara-se declarando a si mesma que ele era mudo e inútil. Não podia deixar de ser mudo. Ordinariamente a família falava pouco. E depois daquele desastre viviam todos calados, raramente soltavam palavras curtas. O louro aboiava, tangendo um gado inexistente, e latia arremedando a cachorra.
                                                                                                            
Disponível em:http://www.metavest.com.br/livros/Vidas-Secas.pdf Acesso em 02 de jun de 2020.

Copie e responda as questões:

1)     Procure no texto, palavras e expressões que apontam para o cenário em que se passa a narrativa.

2)     Por que o papagaio, assim como toda a família, não falava, só “aboiava” (chamava) o gado e imitava a cachorra Baleia? Procure uma frase do texto que comprove a sua resposta.

3)     Transcreva do texto uma passagem que sinaliza para uma outra realidade vivida pela família e que contrasta com a sua condição de retirantes.

4)     Fabiano chega a considerar a hipótese de abandonar o filho à própria sorte, mas desistiu de levar à frente essa ideia. Leia os trechos e, identifique os que comprovam a razão de sua desistência, marcando (C) para CERTO e (E) para ERRADO.

A)   (   ) “Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos”.
B)    (   ) “[...] o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos”.
C)   (  ) “Fabiano meteu a faca na bainha, guardou-a no cinturão, acocorou-se, pegou no pulso do menino, que se encolhia, os joelhos encostados no estômago, frio como um defunto.”.
D)  ( ) “Pensou nos urubus, nas ossadas, coçou a barba ruiva e suja, irresoluto, examinou os arredores.”
E)     (  ) “Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato”.

5)     Diante dos problemas sociais, a vida da família relatada no livro “Vidas Secas” é realmente seca. Isso acontecia porque se trata de uma vida
A)   (    ) tranquila
B)    (    ) sub-humana
C)    (    ) alegre
D)   (    ) normal


6)     Dentre as opções abaixo, assinale aquela que está correta e mais completa em relação ao enredo de “Vidas Secas”.
A)  (    ) Ele conta a história de quatro pessoas e uma cachorrinha pelo sertão nordestino à procura de um lugar para morar.
B)  (    ) Ele conta a história de uma família de quatro pessoas e um papagaio pelo sertão nordestino em busca de uma nova vida.
C)   (     ) Ele conta a história de uma família de quatro pessoas.
D)  (   ) Ele conta a história de uma família de quatro pessoas, um papagaio e uma cachorrinha a caminhar pelo sertão em busca de uma vida melhor.

7)     Entre as principais características de Vidas Secas, podemos citar:
A)   (  ) Foco no nordestino, mostrando os problemas como a seca, a migração e a miséria do trabalhador rural.
B)    (    ) Presença de figuras de linguagem como metáfora, prosopopeia e zoomorfização.
C)    (    ) Foco narrativo em terceira pessoa.
D)   (    ) Todas as anteriores.


Um grande abraço!
  Estude direitinho!!! 



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