Atividades do Regime Especial de Aulas Não Presenciais de Língua Portuguesa 9º "A" e "B"
Escola Estadual Professor Marcilon Dorneles
Professora Adeliene A. Silva
Trindade, 10 de junho de 2020
OBS.: Leia o texto, copie as atividades e responda com atenção.
Leia o texto a
seguir:
Eu
sei, mas não devia - por Marina Colasanti (Crônica poética)
A gente se
acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as
janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para
fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as
cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo
a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a
amplidão.
A gente se
acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café
correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder
o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do
trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar
cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se
acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita
os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita
não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de
paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se
acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A
sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando
precisava tanto ser visto.
A gente se
acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para
ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer
fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez
pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com
que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se
acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A
ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir
publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável
catarata dos produtos.
A gente se
acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz
natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta
morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada,
a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma
planta.
A gente se
acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não
perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o
pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do
corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E
se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda
fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se
acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para
evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar
o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e
que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Disponível em: https://www.relatosdeumgarotodeoutroplaneta.com/2019/02/eu-sei-mas-nao-devia-por-marina.html Acesso em: 25, mai. 2020.
Se for possível, veja o texto no site:
1 - São
características da crônica:
a) ( ) Publicada em jornal ou revista, destina-se à
leitura diária ou semanal, pois trata de acontecimentos cotidianos.
b) ( )
Nunca está vinculada aos meios de comunicação como: televisão, jornais,
revistas, etc.
c) ( ) O
cronista ao elaborar a sua crônica, preocupa-se, principalmente, em narrar os
fatos exatamente como eles são.
d) ( ) O cronista eficiente é aquele que narra
situações banais sob uma ótica popular e sem nenhuma criatividade.
2 – “Eu sei
que a gente se acostuma. Mas não devia”. A ideia de nos acostumarmos pode ser muito perigosa.
De acordo com essa afirmativa, assinale a frase que não causa perigo às pessoas:
a) ( ) Esquecer o sol, esquece o ar, esquece a
amplidão.
b) ( ) Pagar mais do que as coisas valem.
c) ( ) À lenta morte dos rios.
d) ( ) Acordar tranquilo e com disposição.
3 – “Se a praia está contaminada,
a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.” Os estudos indicam que mais
de 95% do lixo nas praias brasileiras é plástico. Essas contaminações provocam
a morte de uma grande quantidade de peixes.
Qual a
alternativa que melhor explica sobre a mortalidade desses animais:
a) ( ) Aumento dos degelos em regiões
brasileiras.
b) ( ) Há uma diminuição na quantidade de
oxigênio.
c) ( ) Os lixos aumentam a qualidade de vida
aquática.
d) ( ) Os plásticos não são nocivos aos animais
aquáticos.
4 –” A tomar o café correndo
porque está atrasado.” A palavra correndo pode ser substituída por vários
termos.
Qual a frase em que a palavra
correndo tem sentido literal, isto é, do verbo correr no gerúndio:
a) ( ) Senti um arrepio correndo pelo corpo.
b) ( ) O policial estava correndo os olhos no
ambiente.
c) ( ) Sua vida ia correndo em ordem.
d) ( ) O atleta estava correndo pela estrada.
5 – De acordo Com o texto, há vários tipos
de crônicas. O texto aborda 3 tipos. Quais são eles?
6 - Marina
Colasanti autora de: “Eu sei, mas não devia”, retrata
circunstâncias bastante comuns e com as quais todos nós conseguimos
facilmente nos relacionar. No
intuito de vivermos uma vida que achamos que devemos viver, acabamos privados
de uma série de experiências que nos dariam prazer e nos fariam sentir
especiais.
Que experiências você gostaria de viver, mas que é privado pelas
circunstâncias?
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