Atividades do Regime Especial de Aulas Não Presenciais de Língua Portuguesa 9º "A" e "B"
Escola Estadual Professor Marcilon Dorneles
Professora Adeliene Alves Silva
Trindade, 27 de abril de 2020
OBS.: Caros Alunos, sei que vocês são muito esforçados e gosto de ver esse esforço. Desejo a todos um excelente dia de atividades juntamente com a família, que tem se esforçado muito em parceria com a escola e com vocês.Acredito que dias melhores virão. Fique em casa, logo estaremos juntos.Portanto leiam o texto com muita atenção, copie as atividades de responda.
Escola Estadual Professor Marcilon Dorneles
Professora Adeliene Alves Silva
Trindade, 27 de abril de 2020
OBS.: Caros Alunos, sei que vocês são muito esforçados e gosto de ver esse esforço. Desejo a todos um excelente dia de atividades juntamente com a família, que tem se esforçado muito em parceria com a escola e com vocês.Acredito que dias melhores virão. Fique em casa, logo estaremos juntos.Portanto leiam o texto com muita atenção, copie as atividades de responda.
Habilidades: (EF69LP02-C) Perceber a
construção composicional e
o estilo dos gêneros
em questão, como forma de ampliar
suas possibilidades de compreensão (e produção) de textos.
(EF69LP47-B) Perceber como se estrutura a narrativa
nos diferentes gêneros e os efeitos de sentido decorrentes do foco narrativo
típico de cada gênero, da caracterização dos espaços físico e psicológico e
dos tempos cronológico e psicológico, das diferentes vozes no texto (do
narrador, de personagens em discurso direto, indireto e indireto livre), do
uso de pontuação expressiva, palavras e expressões conotativas e processos
figurativos e do uso de recursos linguístico-gramaticais próprios a cada
gênero narrativo.
(EF89LP35-A) Criar contos ou crônicas (em especial,
líricas), crônicas visuais, mini- contos, narrativas de aventura, entre
outros, com temáticas próprias ao gênero.
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TEXTO 1
Clarice Lispector
Era uma galinha de domingo. Ainda
viva porque não passava de nove horas da manhã. Parecia calma. Desde sábado
encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para
ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam
dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.
Foi pois uma
surpresa quando a viram abrir as asas de curto voo, inchar o peito e, em dois
ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o
tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de
onde, em outro voo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno
deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé.
A família foi
chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da
casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte
e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário
da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula,
escolhia com urgência outro rumo.
A perseguição
tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um
quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha
tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua
raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a
presa o grito de conquista havia soado.
Sozinha no mundo,
sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga,
pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com
dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão
livre.
Estúpida, tímida e
livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas
vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia
contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na
sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma
surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.
Afinal, numa das
vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e
penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das
telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta,
sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu.
De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse
prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma
velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou respirando, abotoando
e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e
abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só
a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu
desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:
— Mamãe, mamãe,
não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem!
Todos correram de
novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho,
esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era
uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a
filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca
ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa
brusquidão:
— Se você mandar
matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!
— Eu também! Jurou
a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.
Inconsciente da
vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina,
de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a
cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei
a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos,
menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando
suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.
Mas quando todos
estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena
coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o corpo
avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a
traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado.
Uma vez ou outra,
sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar
à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o
ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas
ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua
vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando
milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos
séculos.
Até
que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.
Texto extraído do livro “Laços de Família”, Editora Rocco — Rio de Janeiro, 1998, pág. 30. Selecionado por Ítalo Moriconi, figura na publicação “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”.
Nome:
Clarice Lispector
Nascimento:
10/12/1920
Natural:
Tchetchelnik - Ucrânia
Morte: 09/12/1977
Se
você tiver internet em casa, leia mais sobre a autora Clarice Lispector em: http://www.releituras.com/clispector_bio.asp
Atividades
Interpretando e analisando o texto I:
01)
Assinale a alternativa correta. “A galinha tornara-se a
rainha da casa”
(A) ( ) por ter tido
coragem para fugir da morte;
(B) ( ) por cantar
como um galo todas as manhãs;
(C) ( ) por ter botado
um ovo, começado a chocá-lo e comovido a todos.
(D) ( ) por ter cabeça
de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.
Disponível
em: https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/47449/itame-2015-camara-municipal-de-inhumas-go-arquivista-prova.pdf Acesso: 06, abr. de 2020 (adaptada)
02) Se em “Mesmo que
ela cante baixinho, fará sucesso”,
o trecho em negrito fosse substituído por “Mesmo que ela cantasse baixinho”, a
continuação correta seria
(A) ( ) faz sucesso.
(B) ( ) fez sucesso.
(C) ( ) fará sucesso.
(D) ( ) faria sucesso.
Disponível
em: https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/47449/itame-2015-camara-municipal-de-inhumas-go-arquivista-prova.pdf Acesso: 06, abr. 2020 (adaptada)
3) Assinale a alternativa em que contém discurso direto.
(A) ( ) Era uma
galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.
Parecia calma.
(B) ( ) Mal porém
conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos
gritos:
— Mamãe,
mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem!
(C) ( ) Uma vez ou
outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara
contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar.
(D) ( ) Afinal, numa
das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e
penas, ela foi presa.
04). Em todos os trechos citados do texto há adjetivo, exceto
em
(A) ( ) [...]não
souberam dizer se era gorda ou magra.
(B) ( ) Sozinha no
mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada.
(C) ( ) Até que um dia mataram-na, comeram-na e
passaram-se anos.
(D) ( ) [...] hesitante e trêmula, escolhia com
urgência outro rumo.
05) Assinale a alternativa correta no que se refere ao uso da
vírgula - “O rapaz, porém, era um caçador adormecido.”
(A) ( ) Para isolar o
vocativo.
(B) ( ) Para isolar o
aposto.
(C) ( ) Para
separar
conjunções.
(D) ( ) Para separar adjuntos adverbiais deslocados.
06. Por que,
afinal, a família desistiu de comer a galinha? E por que, tempos depois, eles
decidem comê-la?
07. Às vezes, a narrativa do conto
oscila entre a humanização
e a animalização da galinha. Cite trechos do texto que comprovam essa
afirmativa.
08.Percebe-se, no conto, que o narrador(a) faz uma projeção da
galinha para uma mulher/mãe que gostaria muito de não ter o sentido de sua vida
reduzido à maternidade. Não quer (ou não ousa) cantar como o galo (ou cantar de
galo), mas ficaria feliz em saber que pode.
Qual a relação da projeção feita pelo narrador(a) com as
mulheres atuais? Justifique sua resposta.
09. Qual é a(s) personagem principal do conto?
10. Em que tempo e em que lugar se passa essa narrativa? Justifique
sua resposta.
11.Que tipo de narrador está presente nesta narrativa?
Justifique sua resposta.
12. Faça
um resumo desse conto em, no máximo, cinco linhas, contando com suas próprias
palavras o que você leu.
Releituras: Há no site YouTube inúmeras releituras
deste conto. Para saber mais, assista a animação de Rafael Aflalo: https://www.youtube.com/watch?v=OFguEGJ5bww
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