Atividades do Regime Especial de Aulas Não Presenciais de Língua Portuguesa 9º "A" e "B"
Escola Estadual Professor Marcilon Dorneles
Professora Adeliene Alves Silva
Trindade, 22 de abril de 2020
OBS.: Meninos, leiam atentamente o texto, copie e responda as questões
Sobre Guimarães Rosa
Escola Estadual Professor Marcilon Dorneles
Professora Adeliene Alves Silva
Trindade, 22 de abril de 2020
OBS.: Meninos, leiam atentamente o texto, copie e responda as questões
Introdução do Gênero
Conto
FITA VERDE NO CABELO
– Nova
velha história
João Guimarães Rosa,
Quem não conhece a história de
Chapeuzinho Vermelho? Inspirado nesse conflito fantástico, com uma linguagem
toda sua, muito gostosa, Guimarães Rosa presenteou-nos com a história da menina
Fita-Verde.
Havia uma
aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam,
homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam.
Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto.
Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.
Sua mãe
mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase
igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma
vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar
framboesas.
Daí que
indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores que por lá lenhavam; mas o
lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o
lobo. Então, ela mesma, era quem se dizia: Vou à vovó, com cesto e pote, e a
fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou. A aldeia e a casa
esperando-a, acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das
horas, que a gente vê que não são.
E ela mesma
resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro,
encurtoso[1]. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra, também vindo-lhe
correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com
inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada
uma em seu lugar as plebéinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente
tanto por elas passa. Vinha sobejadamente[2].
Demorou,
para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela toque, toque,
toque, bateu:
– Quem é?
– Sou eu… –
e Fita-Verde descansou a voz. – Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com
fita verde do cabelo, que a mamãe me mandou.
Vai, a avó,
difícil disse:
– Puxa o
ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.
Fita-Verde
assim fez, e entrou e olhou. A avó estava na cama, rebuçada[3] e só. Devia,
para falar agagado[4] e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo.
Dizendo:
– Depõe o
pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.
Mas agora
Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho
sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de
almoço. Ela perguntou:
–
Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!
– É porque
não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta – a avó murmurou.
–
Vovozinha, mas que lábios, ai, tão arroxeados!
– É porque
não vou nunca mais poder te beijar, minha neta… – a avó suspirou.
–
Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado e pálido?
– É porque
já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha… – a avó ainda gemeu.
Fita-Verde
mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.
Gritou:
–
Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!
Mas a avó
não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e
tão repentino corpo.
[1] menor (variação de encurtado); [2] em
demasia, muito; [3] coberta; [4] com gagueira;
Disponível em: http://www.umprofessorle.com.br/2018/11/16/fita-verde-no-cabelo/ acesso em: 30, mar.
2020. (adaptado)
Nasceu em Cordisburgo, MG, em 1908, e faleceu no RJ em 1967. Foi
diplomata e escritor, sendo eleito para Academia Brasileira de Letras em 1963.
A publicação de seu primeiro livro de contos, Sagarana, garantiu-lhe lugar de
destaque. A linguagem, pela singular estrutura narrativa e riqueza simbólica de
suas histórias. Fita Verde no cabelo é exemplo dessas qualidades.
Intertextualidade:
é a citação de um texto por outro. Não aquela citação clara, que deixa
trechos entre aspas. Referindo-nos à citação implícita: o leitor lê o texto e
se lembra do outo, do anterior, porque os personagens, o enredo e, às vezes,
até a linguagem, são parecidos.
Quando um texto é muito semelhante ao outro, apresentando uma variação
mínima, trata-se de PARÁFRASE.
Quando há desencontro de ideias entre um texto e outro, acontece uma POLÊMICA.
Quando há o tom do riso, do humor e da sátira, estamos diante de uma PARÓDIA.
TRABALHANDO COM O TEXTO
01.
FITA VERDE NO CABELO estabelece
uma intertextualidade com a história de Chapeuzinho Vermelho. Justifique,
mostrando semelhanças entre os dois textos quanto a:
a)
Personagens:
b)
Ações da personagem principal:
c)
Espaços da narração:
02.
O subtítulo “Nova velha história” anuncia a
intertextualidade. Por quê?
03.
Guimarães Rosa, nesse texto, tem uma linguagem
nova, que foge aos padrões cultos da língua, ele faz uso do neologismo. Neologismo é o processo de criação de uma nova palavra
na língua devido à necessidade de designar novos objetos ou novos conceito. Aponte exemplos dessa
linguagem, conforme indicado:
Parágrafo
1:____________________________________________
Parágrafo
2:____________________________________________
Parágrafo
3:____________________________________________
Parágrafo
4:____________________________________________
04.
A palavra lobo,
no terceiro parágrafo, aparece grafada com letra minúscula, mas, no penúltimo,
com letra maiúscula: “ Vovozinha, eu
tenho medo do Lobo”! Lobo, nesse último caso, teria algum significado
especial? Qual? Justifique sua resposta.
05.
Retire do texto um
exemplo de discurso direto:
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